
Estou louca, tão louca que grandes coisas andam perdendo o sentido... proteja-se de mim quem puder (ou quiser) aproxime-se quem quiser (ou puder).
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...Afinal, já a Sandice se contentava com um cantinho no sótão.
- Não, senhora - replicou a Razão -, estou cansada de lhe ceder sótãos, cansada e experimentada, o que você quer é passar mansamente do sótão à sala de jantar, daí à de visitas e ao resto.
- Está bem, deixe-me ficar algum tempo mais, estou na pista de um mistério...
- Que mistério?
- De dois - emendou a Sandice -; o da vida e o da morte; peço-lhe só uns dez minutos.
A Razão pôs-se a rir.
- Hás de ser sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa...
E, dizendo isto, travou-lhe dos pulsos e arrastou-a para fora; depois entrou e fechou-se.
A Sandice ainda gemeu alguma súplicas, grunhiu algumas zangas; mas desenganou-se depressa, deitou a língua de fora, em ar de surriada, e foi andando...
(Parte da Página 28 do livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas")
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