domingo, 2 de março de 2008

Razão contra Sandice




Estou louca, tão louca que grandes coisas andam perdendo o sentido... proteja-se de mim quem puder (ou quiser) aproxime-se quem quiser (ou puder).


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...Afinal, já a Sandice se contentava com um cantinho no sótão.

- Não, senhora - replicou a Razão -, estou cansada de lhe ceder sótãos, cansada e experimentada, o que você quer é passar mansamente do sótão à sala de jantar, daí à de visitas e ao resto.

- Está bem, deixe-me ficar algum tempo mais, estou na pista de um mistério...

- Que mistério?

- De dois - emendou a Sandice -; o da vida e o da morte; peço-lhe só uns dez minutos.

A Razão pôs-se a rir.

- Hás de ser sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa... sempre a mesma coisa...

E, dizendo isto, travou-lhe dos pulsos e arrastou-a para fora; depois entrou e fechou-se.
A Sandice ainda gemeu alguma súplicas, grunhiu algumas zangas; mas desenganou-se depressa, deitou a língua de fora, em ar de surriada, e foi andando...


(Parte da Página 28 do livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas")


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